terça-feira, 14 de abril de 2009

Um grito por atenção – Parte II


Outro exemplo de mulheres carentes de atenção, são as mães, principalmente mães com filhas mulheres e nestes casos a carência e as atitudes de pura maldade são gravosas e podem deixar marcas.

Para muitas meninas crescer significa aprender a lidar com os conflitos e a colocar muitas vezes limites aos outros, o problema é quando esses outros são as mães.

Muitas mulheres tem o prazer em revelar que seguiram os esteriotipos da sociedade á letra. Compraram casa, casaram com o homem da sua vida e tiveram filhos tudo dentro do” limite de idade “ estipulado. No entanto, esta transição de casa dos pais para casa do marido e a possível falta de vida própria ou mesmo de pensamentos próprios faz com que se crie um vazio na essência destas mulheres.
A solução apresenta-se então naturalmente. Para não variar muito e tendo o ser humano tendência para atribuir a terceiros a culpa de todos os seus males, a mulher vê na sua filha mulher a escapatória para a sua frustração.
Nesta altura deparamos-nos com dois tipos de atitude – a Neurótica e a imitadora.
Quando a mulher não vê porque terá de abdicar do seu papel de mulher em prol do papel de mãe e não pretende abdicar tão cedo da sua auto-imagem, quando se cuida, preocupa com a aparência e tenta manter-se jovem vê essa questão como uma rivalidade com a filha. A mulher fica então de tal forma obcecada que a figura de mãe desaparece.
Isto sucede muitas vezes porque a mulher se sente marginalizada ou porque percebe que a vida está a passar velozmente, e não correu de acordo com as suas expectativas, vendo na filha alguém que tem um ascendente sobre o pai que ela nunca teve sobre o marido e que tem uma vida com muito mais oportunidades e alegrias.
Nesta fase revela-se a Neurótica, a mãe que se tornou “madrasta”.
Num campo completamente oposto, temos a mãe imitadora, que vê na filha uma forma de viver tudo aquilo que não teve oportunidade de fazer.
A mãe transforma-se então numa espécie de melhor amiga e confidente, relegando para outros as tarefas educativas. Trata a filha como uma igual, veste-se de igual, fala da mesma forma, usa os mesmos adereços e perfumes. Chegam mesmo ao cumulo de partilhar.
A mãe identifica-se de tal forma com uma adolescente que esquece a sua própria vida e integra-se no grupo de amigos da filha, como se fosse mais uma das meninas. No entanto, por muito que se esforce a mãe nunca vai poder esconder a realidade da sua idade e da sua posição e a filha vai sempre lutar pela sua individualidade.
Como pais temos de ter absoluta consciência do fardo que podemos infligir nos nossos descendentes apenas porque não sabemos lidar com os nossos traumas. Seja por medo “de sermos ultrapassados ou de já não conseguir-mos que gostem de nós criamos fantasias de regresso ao passado, á fase da nossa vida em que fomos mais felizes, mas esta identificação artificial com a adolescência não resolve os nossos problemas.

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