terça-feira, 14 de abril de 2009

A reclamação de barriga cheia


A maioria das pessoas passa grande parte do dia a reclamar de barriga cheia.
Se é porque chove é porque chove, se faz sol é por fazer sol.
Se vão ao café tomar pequeno almoço, é porque não há nada para comer.
Se andam de transportes é porque o mesmo vem muito cheio.
Se andam de carro é porque a fila de transito é monstruosa.
Se têm de trabalhar é porque é muito cedo ou o emprego muito aborrecido.
A lista de reclamações é infinita, mas será que estas pessoas já pôs a mão na consciência? Será que pensam naquilo que dizem?
Não há nada para comer? Sinceramente, se tem dinheiro para tomar pequeno almoço ou lanche no café não têm motivos para se queixar. Há quem não tenha sequer o que comer.
O transporte está a abarrotar ou está transito? Que tal levantar mais cedo da cama? Há quem não tenha sequer trabalho para o qual tenha de se deslocar e não tem dinheiro para gasolina ou transportes mas que ás 6.30 h da manhã já estão á porta dos edifícios da segurança social a lutar pelo futuro.
A reclamação é um direito de todos, mas é ridículo ter de ouvir certas e determinadas queixas infundadas.
Há pouco tempo, através do telejornal, fiquei a saber que por baixo do viaduto de Sta Apolónia vive uma grande comunidade ( se assim se pode chamar) de Sem Abrigo. Cada vez que o transporte público que frequento passa nesse local eu uso-o como exemplo para controlar o meu mau génio. Cada vez que o dia corre mal e só me apetece reclamar ou chatear alguém com as minhas queixas e dramas pessoais, penso que ali, naquele local que abriga desafortunados, é o local onde eu passo todos os dias bem vestida, confortável q.b no transporte público, a caminho de casa ou do trabalho e deambulando pela minha vida da qual muitas vezes me queixo, mas que para muitos seria perfeita.


Dá que pensar, não dá? Ainda vos apetece reclamar?

Sem comentários: