
Existem limites para tudo, até para as regras da inserção social.
Por muito que alguém deseje fazer parte de um determinado grupo de pessoas ou “status” , não pode anular a sua personalidade em prol desse desejo.
Eu recuso-me a ser , fingir ser ou mesmo parecer burra para me inserir no circulo social que me rodeia diariamente no local de trabalho.
Por falta de estudos, de motivação ou mesmo de vontade de alimentar o espírito tanto quanto alimentam o corpo, o grupo que me rodeia é limitado e básico no que toca á cultura geral. Nunca me inseri neste grupo a 100% e se tiver de sacrificar aquilo que sou , nunca me inserirei.
Porque tenho de falar á bebé, á ghetto com vernáculos rácicos ? Porque tenho de ouvir musica horrível que quando tem letra é absolutamente incoerente, racista e sexista ?Porque tenho de negar ler o jornal diariamente e perceber o que nele consta? Porque tenho que calar a minha opinião sobre o que se passa á minha volta só para não ser olhada de lado e criticada?
As personagens com quem partilho o meu espaço de trabalho olham-me de lado e pelas minhas costas comentam que me sinto e comporto como se fosse superior.
Se se referem ao facto de eu ser inteligente, formada e minimamente culta em relação a todos eles, sim assumo...Sinto-me superior. Como já disse, recuso anular-me.
Muitas das pessoas que me rodeiam, até são pessoas cultas mas que se deixaram cair na inércia cultural e com a falta de estímulos á sua volta esquecem –se de utilizar a sua “massa cinzenta” , tornando-se básicas. Quando individualmente se fala com estas pessoas elas têm momentos de lucidez intelectual, no entanto, quando devolvidas ao grupo habitual tudo regride.
Porquê?
Desde quando necessita o ser o humano de esconder o seu maior bem para se sentir inserido na comunidade? Desde quando nos torná-mos uma sociedade que circula em “modo automático”, sem pensar, sem ter consciência do mundo que nos rodeia? Desde quando deixámos de dar importância á cultura, aos estudos, ao conhecimento? Desde quando abdicá-mos do prazer de aprender algo novo todos os dias?
Tudo isto me entristece. É difícil ser ofendida pelo facto de gostar de alimentar o intelecto diariamente, mas ao mesmo tempo questiono-me o que pensarão estas pessoas que me rodeiam de outros indivíduos com quem me cruzo lá fora e que são milhentas vezes mais cultos e inteligentes que eu?
Serão também convencidos? Génios? Pseudo-intelectuais? Nada disso... nem sequer são reconhecidos, porque para estas criaturas esse outro mundo não existe. Existe apenas o grupo onde se inserem felizes, por terem alguém que fala a mesma língua ( se assim se pode chamar), que tem os mesmos gostos por novelas e revistas cor de rosa e conversas sem teor algum.
Nunca me poderia inserir num grupo assim. Não! Se o fizesse tenho a sensação que ocorreria um êxodo de neurónios do meu cérebro.
Sinto-me orgulhosa daquilo que sou. Toda a minha vida fui assim e não vou mudar. Não considero que esteja errada e sei que algures lá fora existem outros “ bichos estranhos” como eu. Pena é que metade deles não vai saber defender o seu bem mais precioso e vai sacrificá-lo em prol de uma vida social que considera fabulosa e perfeita, aquela que vê nas revistas cor de rosa.
· Êxodo - «emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa», como, por exemplo, «o êxodo dos judeus» ou «o êxodo rural». A palavra êxodo vem do «gr[ego] éksodos,ou, "passagem, saída; marcha, partida; expedição militar; procissão, cortejo, pompa", [pelo] lat[im] exŏdus,i,
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