domingo, 15 de junho de 2008

Feira do Livro de Lisboa - 2008


Depois de mil e uma peripécias que deixaram a maioria indiferente e os aficionados ( como eu ) em pânico, a 78ª edição da Feira do livro de Lisboa lá abriu coma alguns dias de atraso. Aquilo que a maioria percebeu era que existiam duas facções que tentavam organizar a feira á sua maneira. A APEL que pretendia e obteve a estrutura habitual e o Grupo Leya que pretendia a inovação.

As primeiras sondagens e pareceres mostraram livreiros satisfeitos com a afluência e o volume de vendas e um público satisfeito por poder passear durante um mês (sensivelmente) no meio de tanta literatura.

Louca como sou e habituada desde criança a visitar a feira do livro, lá me muni dos meus melhores sapatos de maratona ( ou não) e parti em direcção á descoberta do novo mundo instalado no Parque Eduardo VII, seguida da minha companhia dos últimos anos nas minhas incursões literárias, já com seu ar de grande frete, por saber que iria subir e descer o parque no mínimo oito vezes. E qual foi a minha reacção deste ano??

Desilusão! A mais pura e completa desilusão.
A minha adorada feira foi mutilada. Onde estão metade das bancas habituais?! Enfiadas num espaço exíguo, apertado, desconfortável e pouco apelativo.
O famoso e moderno espaço da Leya que fez com que a abertura da feira fosse atrasada e que prometia modernidade e inovação é uma grande trampa,perdoem a expressão.

O que vi foi mais uma feira de livro como aquelas que se organizam na Gare do Oriente ou na rua Augusta.
de Vi foram stands minúsculos onde no mínimo cabiam 5 pessoas desde que não quisessem todas ver o mesmo livro, é claro. Vi péssimos acessos a essas pseudo bancas, e pouca protecção a quem os frequentava ( qualquer queda do topo dos palanques seria bem aparatosa e grave). As sessõesautógrafos de autores eram uma piada de mau gosto.....autores sentados em esplanadas todos ao monte, com os seus cafés á frente a falar entre si e sem estarem perto das suas obras para as comentarem ou a dar atenção e a aautografar as mesmas para os fãs. E o manusear dos livros....de quem foi essa ideia peregrina?? Sim dá conforto ás pessoas tocar, ver, cheirar o livro...mas e depois de este ser manuseado por 10, 20, 30 pessoas quem o vai comprar?? Eu não compraria um livro de cantos amachucados e folhas menos compactas e dobradas pelo manuseamento excessivo, porque diga-se de passagem o português não é propriamente o povo mais educado no que toca a livros.
Em conclusão e sobre o novo espaço : se eu quisesse um livro manuseado iria a umas bancas fora do grupo... as bancas dos alfarrabistas; se quisesse ver autores nos cafés iria mais vezes ao bairro alto ou a outros lugares que eles frequentem, mas meus amigos ficam avisados que a conotação de autores e cafés como monumentos acabou com Fernando Pessoa; e por fim, se quisesse ser empurrada e não quiser conseguir ver um único livro, se me apetecer sufocar ( porque apesar de o parque Eduardo VII ser ao ar livre eu fiquei claustrofóbica) no meio de livros...e publicidades á parte, prefiro ir á Fnac do Colombo na véspera de Natal.

O meu balanço deste ano no geral é então deprimente. Estive perto de 1 hora na feira do livro, dessa hora estive 10 minutos na zona do novo grupo e jurei para nunca mais... afinal só temos uma oportunidade de causar uma 1ª boa impressão, e eles comigo falharam.
Entrei, visitei as bancas habituais , cingi-me á minha lista... a depressão era tão grande que nem procurei novidades e nem me apeteceu conversar com os muitos autores que por lá vi ( em locais estratégicos, arejados, convidativos á conversa, esperando ser abordados pelos seus leitores...sim porque os autores são pessoas normais e não mordem a ninguém).

Aqui fica então o meu renovado voto de confiança ao grupo da APEL, não se deixem demover com promessas de modernidade pois as mesmas nem sempre são positivas.

Nota: sabem quem ficou muito feliz este ano com a feira do livro?? O meu acompanhante habitual, só lá foi uma vez este ano, só se demorou uma hora, não deu 50 voltas ao parque e não ficou com dores musculares por carregar toneladas de peso em livros... pelo menos um pessoa satisfeita.

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