sexta-feira, 20 de março de 2009

A modernidade começa de dentro para fora.

O seu maior desejo era superar a família e mostrar a todos o quão bem sucedida era em todos os campos da sua vida. Apesar de ser a mais nova e a protegida dos membros mais velhos, havia nela uma necessidade de afirmação e de superação inexplicáveis. Todas as conquistas e acções de terceiros representam uma barreira a superar.
Casas, casamentos, filhos, amizades, profissões, roupas, carros tudo é motivo de competição. Até aqui tudo não passa de uma banalidade no mundo em que vivemos actualmente e em que todos competem entre si e tentam atingir as metas impostas pelo pseudo jet-set, a particularidade aqui é que falamos de pessoas de classe média baixa, sem aspirações de um futuro melhor e no fundo trabalham apenas para as aparências.
A necessidade de afirmação dela levou a um casamento em tenra idade, a uma gravidez precoce para provar apenas que era tão ou mais capaz de gerar e educar um filho como os outros. Estas pequenas grandes conquistas para o objecto em análise são motivo de orgulho e sente-se de alguma forma como vencedora da sua batalha contra aqueles que ela acha que estão a competir com ela.
A verdade é bem mais cruel . Um casamento e uma gravidez que ocorrem numa idade em que se deveria estar a divertir, a conhecer-se a si mesma e ao mundo, acrescida de uma educação típica de irmãos mais novos faz com que esta criatura tenha uma fraca maturidade ( para não falar em total ausência da mesma) e procure agora viver através dos filhos aquilo que não gozou na sua infância.
O défice de atenção ( agravado pelo elevado número de membros da família) reflecte-se agora no chamar de atenções para as conquistas normalíssimas dos seus filhos e para o facto de estes serem perfeitos comparativamente a outras crianças da mesma idade , na valorização do carro ou carros familiares e na casa digna de revistas que apresentam ás visitas.
As eventuais necessidades nutricionais e de vestuário do passado são colmatadas com uma alimentação da criança desregrada e absolutamente incorrecta , onde imperam doces e fritos e um excessivo guarda roupa que é igual ao do progenitor do mesmo sexo .
Uma mulher assim encontrou o príncipe encantado, quando conheceu um Jovem originário de um mesmo contexto familiar deficitário a nível económico e afectivo.
Para ele não existem metas ou objectivos, guia-se pela ambição de outros e como paga deseja apenas ter um carro bem apetrechado pelos regras do tunnig , o almoço / jantar na mesa quando a fome aperta e total liberdade para o seu mais recente interesse – a imagem pessoal.
O resultado desta união pode até parecer perfeita, mas não o é. No fundo estamos a olhar para duas pessoas intelectualmente infantilizadas que vivem de sonhos e aparências. O grau de escolaridade não chega nem ao nível obrigatório, o nível de educação reflecte o meio em que foram educados, a maturidade do relacionamento revela a gritante falta de auto-conhecimento e crescimento emocional individual.
A sua modernidade como casal funciona apenas da porta de casa para fora e alimenta-se de aparências físicas.
Ele auto-intitula-se metrosexual, mas só em part-time. Ela elabora mega produções de imagem quando recebe ou faz visitas , mas não tendo plena consciência do seu corpo, da moda em vigor ou da reacção dos materiais com os quais são confeccionadas as suas roupas de pouca qualidade, muitas vezes falha o objectivo.
No que toca á educação do filho em comum, esta prima pelo mimo excessivo, sendo a criança a “dona da casa” e um jovem ditador em potência ao qual todos obedecem.
Dentro das quatro paredes as situação é grave. Ele é o típico homem machista que não faz absolutamente nada em casa e o que faz é de má vontade, a mulher é uma mera empregada doméstica que tem a honra de dormir com ele e ser mãe dos filhos. Ela julga-se emancipada e liberal mas acarreta todas as ordens.
As agressões verbais são mutuas, de uma crueldade elevada e baixissimo nível. As retaliações fazem-se sentir mais tarde através da manipulação dos descendentes.
Por muito modernos que queiramos ser há algo que temos ter sempre em conta, a modernidade começa de dentro para fora. As aparências são mascaras que facilmente caiem revelando assim o vazio que existe em nós ou a fealdade da nossa realidade.
Nunca seremos modernos se em publico vivemos como se fossemos uma personagem de conto de fadas e na intimidade do lar agimos como primatas.

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