terça-feira, 16 de setembro de 2008

Uma "meta para o futuro”




"É preciso mobilizar todos, unir todos em torno de uma grande ambição, de uma meta para o futuro(...)”. Foi o caos, o drama, um escândalo o momento em que o Presidente da República - Aníbal Cavaco Silva - defendeu o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, considerando-o como "fundamental para o desenvolvimento e progresso" do país.

Para além de todas a benesses educacionais esta medida servirá de preparação para um mundo cada vez mais globalizado e para uma maior integração na União Europeia. Foram ainda evidenciados estudos que revelam que os salários dos trabalhadores que concluíram o ensino secundário são "significativamente mais elevados" dos daqueles que apenas completaram o ensino básico.

Afinal qual é o problema? Qual a causa de tanta indignação por parte do povo? Porquê tanto drama? Será que o conhecimento é considerado uma doença?

Todos os dias se ouvem reclamações porque “isto está mau”, o ordenado mínimo nacional é uma miséria, o desemprego aumenta e ninguém faz nada. Mas para que algo evolua e para que as medidas implementadas pelos estados funcionem há que haver reciprocidade. Não nego que o estado das coisas estejam péssimos, mas também não posso ignorar que já foram tomadas medidas e que as pessoas não estão ou não querem estar informadas sobre as mesmas.

Será que é do conhecimento comum que pessoas cuja escolaridade obrigatória não foi concluída e que se encontram no desemprego podem usufruir de cursos que lhes dão equivalências ao 9º ano e tornam funcionários qualificados? Que estes indivíduos recebem subsídios de alimentação, transporte e o subsidio de desemprego?

Quantos não dariam para que isto lhes acontece-se ? Ser pago para estudar, para ter a oportunidade de se cultivar, evoluir, qualificar e ter a hipótese de almejar uma melhor posição no seu local de trabalho, uma vida mais confortável. E saber que estas oportunidades são recusadas por preguiça, desleixo ou comodismo.

Temos por outro lado as criticas á educação, aos professores e ás reformas, mas estes são as mais importantes de todas as alterações. Como ensinar algo actual se o manual estiver desactualizado? Como educar se os próprios professores não tem bases, paciência, vocação e não renovam os seus conhecimentos? Porquê birras, manifestações e ameaças por parte dos professores? Não seria do seu interesse serem avaliados, serem reconhecidos pelos seus conhecimentos e capacidades educativas? Não será benéfico que os seus erros sejam apontados para serem corrigidos e desta forma atingirem melhores e maiores resultados? Ou a Classe dos professores acha que é infalível e superior aos restantes e não admite apontamentos e correcções?

Sinceramente se queremos evoluir, ter bons resultados, bons alunos temos de ter excelentes docentes, manuais actualizados e acima de tudo vontade de partilhar o conhecimento adquirido.

As crianças devem ser motivadas para a aprendizagem e não confrontadas com docentes de ar aborrecido, debitando monocórdicamente matéria.

A educação está acima de tudo, todos concordam neste ponto e existe um preço a pagar, mas esta factura deve ser considerada um investimento e nunca uma futilidade.

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