segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A louca maratona de Setembro


Setembro, mês de regresso do Outono, do regresso de férias e do tão temido regresso ás aulas.
É a época de pânico para os pais, de excitação para os jovens alunos de tédio para os adolescentes e o paraíso para os comerciantes. Nesta época o que não falta são caixas de correio atoladas de folhetos publicitários o que contribui ainda mais para a disseminação da loucura.

Ainda agora se deu o regresso de férias e já se sente o stresse no ar, os ares de preocupação dos pais face aos preços dos materiais e os das crianças ao verificarem que o caderno A4 do Noody está esgotado.

Mas o pior é a corrida aos supermercados, as horas gastas nos corredores do material escolar seja a que hora for. Os pais fora de si, crianças a berrar e chorar pelos materiais adorados e cujos preços foram hiper-inflacionados por um simples desenho na capa, as mentiras do tipo “ o meu pai disse que era para comprar este que é melhor” ou “a professora quer desta marca”. Mas uma vez vimos como o mundo do consumismo afecta cada vez mais cedo as crianças e como este consumismo e globalização de personagens as educa rapidamente de forma negativa.

Sim também o material escolar educa negativamente as crianças. Como já se viu o simples desejo de um objecto faz com que tenham atitudes mal educadas e animalescas por vezes. As crianças gritam, esperneiam, mentem para obter o objecto do seu desejo.

Por outro lado temos os desenhos e as marcas. Para os adolescentes tudo o que importa é a marca da mochila, porque o caderno será preto para dobrar e colocar bem no fundo da mesma, por baixo de todo o material que realmente interessa para as aulas, como o i-pod, o telemóvel e quem sabe um livro de BD.

Para os mais novos são os ícones da TV que contam e dependendo da faixa etária temos os apaixonados pelo Noody e os aficionados pelos personagens da Marvel ou pela Luta livre. E aqui se prende uma das minhas questões. Será que ao comprar-mos para os nossos filhos todo o tipo de material ( não só escolar) destas figuras violentas, feias e desprovidas de conteúdo os estamos a incentivar ainda mais a ser como elas.

Já não basta a violência na TV, nos jogos de PS ou computador e o volume desmesurado de horas que as crianças passam a ser bombardeadas com violência e ainda tem de a ter latente no seu material escolar. Não provocará este material distracção nas aulas e não incentivará á imitação da violência durante os intervalos??

E por outro lado, pela falta de material com imagem de marca estaremos a vetar as nossas crianças ao ostracismo da restante sociedade infantil?! Para muitos pais este é o maior medo, pois também eles em algum momento da vida se sentiram postos de parte pois não teriam o caderno, o estojo ou a mochila de marca XPTO. Tudo que querem é que a sua cria não fique traumatizada, mas será que já pensaram que tipo de monstrinho fútil estão a criar??.

O que eu vejo nos corredores de supermercado são pequenos ditadores, que não sabem nem querem saber se os pais podem comprar tudo aquilo. Querem porque querem e mais nada e, aí de quem lhes diga não, porque vão berrar, espernear e morder até o conseguirem. E já aqui começamos a observar o tipo de educação e influências que as nossas crianças vão ter.

Já aqui as estamos a educar nos meandros da futilidade, das ameaças, da chantagem emocional, na pseudo superioridade social só porque tem algo que outros podem não ter. A escola tal como a educação das nossa crias não é uma brincadeira como muitos imaginam. A educação moral, social, cívica e intelectual está acima de tudo e se eventualmente os nossos rebentos se comportam desta forma é porque já falhámos nalgum ponto e se não tomar-mos as rédeas em breve já não haverá volta a dar.

Obviamente que não vamos ser miseráveis e negar tudo aos jovens estudantes, porque de alguma forma também o material os motiva, mas como em tudo temos de analisar com peso e medida aquilo que realmente é importante.

Não vamos desde a 1ª classe transformar os nossos filhos em pestinhas consumistas e sem noção da realidade.
Vamos abrir-lhes as portas para um mundo novo e não convêm que vão de olhos fechados.

Amanhã é o 1º dia de aulas, o 1º dia de vida no mundo real e não há volta a dar nem para onde fugir.

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