Algo que sempre me causou alguma confusão, são as criaturas ( principalmente mulheres) que se passeiam pelos transportes públicos e gritam para os restantes utilizadores detalhes da sua vida intima. A ideia é contar estes detalhes ao conhecido que as acompanha, no entanto o mesmo deve ser surdo...pobre criatura.
Assim todas as manhãs podemos ouvir as constantes reclamações sobre vida privada, maridos, filhos, tarefas domésticas e cuscuvelhices com as vizinhas, sobre trabalho, os patrões e/ou colegas ou mesmo sobre o autocarro onde vão pois não gostam da cara do motorista. Se tiver-mos a sorte de todos os dias frequentar o mesmo transporte público então temos o privilégio de seguir a vida deste espécime como se de uma novela se trata-se.
Todos os dias sabemos o que foi almoço, o jantar e o lanche e quanto tempo demoraram os colegas de trabalho a tomar café de cada uma das 10 vezes que se retiraram da sala de trabalho.
Algo comum a todas estas criaturas é o drama da vitimização, a língua afiada que se contêm face aos chefes ( e depois quem a ouve são os utentes dos transportes) e o trauma da incompreensão. Só os pobres sofrem desta forma... a vida desta espécie parece uma novela mexicana.
Mas para além desta divulgação pública da sua vida pessoal a intenção primária destas criaturas é dar nas vistas. É colocar do seu lado todo e qualquer ser humano com os quais se cruza. Todos devem simpatizar com os seus dramas, defende-la ( teoricamente ) dos abusos dos patrões e dos colegas, já que esta criatura é uma mártir no seu local de trabalho e ainda falarem mal do conjugue que não ajudas nas tarefas domésticas e deseduca os filhos.
O Drama. O horror. Vidas reais.... passando a publicidade, o grande sonho destes seres é serem reconhecidos e no mínimo aparecerem no jornal da noite da TVI.
Para grande tristeza minha, assisto diariamente a esta novela. Um dia ao tentar abstrair-me através da leitura do jornal, o meu olhar divagou para a pessoa sentada ao meu lado e nesse momento descobri um exemplo perfeito da descrição.
Um homem de 40, barba de 2/3 dias, roupa simples ( mesmo que tivesse alguma marca especifica não o ostentava) sapato bem engraxado e um saco tiracolo ( não um saco de transporte de PC’s como muitas pessoas usam hoje em dia para transportar o almoço) e tal como eu ia a ler o jornal. Aqui reside a surpresa.
Como quem faz palavras cruzadas este homem faz a correcção de uma coluna no jornal. Corrige erros, inverte parágrafos, coloca notas laterais a lapiseira. Organiza-se mentalmente e recomeça....é um verdadeiro génio a trabalhar.... e perguntam vocês porque é este homem tão especial?? Porque é ele o autor da coluna/ editorial que está a corrigir. No topo do texto está a foto e o nome deste personagem, colaborador deste jornal diário de grande conceito e tiragem a nível nacional.
Também ele anda de transportes todos os dias. Também ele assiste aos dramas quotidianos. Ele sim é importante e tem um papel de destaque nas nossas vidas, afinal muitos inspiram-se nas suas palavras para formar uma opinião sobre um qualquer tema da actualidade.
E daqui podemos tirar as nossas conclusões. Pessoas verdadeiramente importantes não “esfregam” o seu estatuto na cara do mundo em geral. São como são e ponto.
Assim todas as manhãs podemos ouvir as constantes reclamações sobre vida privada, maridos, filhos, tarefas domésticas e cuscuvelhices com as vizinhas, sobre trabalho, os patrões e/ou colegas ou mesmo sobre o autocarro onde vão pois não gostam da cara do motorista. Se tiver-mos a sorte de todos os dias frequentar o mesmo transporte público então temos o privilégio de seguir a vida deste espécime como se de uma novela se trata-se.
Todos os dias sabemos o que foi almoço, o jantar e o lanche e quanto tempo demoraram os colegas de trabalho a tomar café de cada uma das 10 vezes que se retiraram da sala de trabalho.
Algo comum a todas estas criaturas é o drama da vitimização, a língua afiada que se contêm face aos chefes ( e depois quem a ouve são os utentes dos transportes) e o trauma da incompreensão. Só os pobres sofrem desta forma... a vida desta espécie parece uma novela mexicana.
Mas para além desta divulgação pública da sua vida pessoal a intenção primária destas criaturas é dar nas vistas. É colocar do seu lado todo e qualquer ser humano com os quais se cruza. Todos devem simpatizar com os seus dramas, defende-la ( teoricamente ) dos abusos dos patrões e dos colegas, já que esta criatura é uma mártir no seu local de trabalho e ainda falarem mal do conjugue que não ajudas nas tarefas domésticas e deseduca os filhos.
O Drama. O horror. Vidas reais.... passando a publicidade, o grande sonho destes seres é serem reconhecidos e no mínimo aparecerem no jornal da noite da TVI.
Para grande tristeza minha, assisto diariamente a esta novela. Um dia ao tentar abstrair-me através da leitura do jornal, o meu olhar divagou para a pessoa sentada ao meu lado e nesse momento descobri um exemplo perfeito da descrição.
Um homem de 40, barba de 2/3 dias, roupa simples ( mesmo que tivesse alguma marca especifica não o ostentava) sapato bem engraxado e um saco tiracolo ( não um saco de transporte de PC’s como muitas pessoas usam hoje em dia para transportar o almoço) e tal como eu ia a ler o jornal. Aqui reside a surpresa.
Como quem faz palavras cruzadas este homem faz a correcção de uma coluna no jornal. Corrige erros, inverte parágrafos, coloca notas laterais a lapiseira. Organiza-se mentalmente e recomeça....é um verdadeiro génio a trabalhar.... e perguntam vocês porque é este homem tão especial?? Porque é ele o autor da coluna/ editorial que está a corrigir. No topo do texto está a foto e o nome deste personagem, colaborador deste jornal diário de grande conceito e tiragem a nível nacional.
Também ele anda de transportes todos os dias. Também ele assiste aos dramas quotidianos. Ele sim é importante e tem um papel de destaque nas nossas vidas, afinal muitos inspiram-se nas suas palavras para formar uma opinião sobre um qualquer tema da actualidade.
E daqui podemos tirar as nossas conclusões. Pessoas verdadeiramente importantes não “esfregam” o seu estatuto na cara do mundo em geral. São como são e ponto.
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