sexta-feira, 4 de abril de 2008

Submissão

Ao observarmos os casais mais idosos é o mais do que natural ver mulheres submissas aos seus maridos de décadas.

É usual vê-las caminhar a alguns passos de distância dos respectivos e sempre atrás ( e ainda criticam o povo muçulmano) e muitas vezes são criticadas e incitadas a qualquer tipo de acção com rispidez e violência.

Mas todas estas atitudes parecem normais numa geração mais antiga. Pode não ser compreensível ou aceitável, mas temos de admitir que faz parte da educação das época, onde o respeito pelo marido estava acima até da própria saúde mental e física da mulher ou mesmo da sua dignidade.

O que não considero aceitável é que em pleno século XXI encontre-mos este tipo de atitude em jovens de 20 anos ( mais ou menos)

Será problema do género feminino, alguma necessidade de anulação e vitimização??

Será que a mulher ainda é assim tão insegura ou medrosa face ao “ficar para tia” que se anule constantemente e ceda ou e deixe humilhar pelo macho dominante para ser socialmente aceite.

Será um problema tipicamente masculino, onde a virilidade só é comprovada com a humilhação da “cara metade”? Ainda haverá a necessidade de se afirmarem pela brutalidade e agressividade face ao elo mais fraco?!

Numa era em que a palavra Metrosexual se começa as usar diariamente, haverá necessidade de certos homens se distanciarem desta faceta mais sensível pela brutalidade, só para afirmarem o seu grau de elevada masculinidade??

Durante a adolescência quantas de nós não vimos ou mesmo sofremos todo o tipo de manipulação masculina. Chantagens emocionais do tipo “não vais para a cama comigo, acabamos tudo”.

Pessoalmente posso dizer que sempre fui criticada pelas minhas amigas, pelas minhas opiniões e posições frias e sem cedências nestas matérias. Sempre me recusei a trair –me a mim mesma e a cair em chantagens de criaturas inseguras e que inventavam mil e uma histórias para dar nas vistas no universo do macho adolescente.

Sim, admito…Era (e ainda sou ) fria nestas questões, mas também era o colo daquelas que tanto me criticavam, quando a coisa dava para o torto. Quantas vezes cederam a pressões e cometeram actos paras quais não estavam física e mentalmente preparadas, porque era assim que eles queriam e porque se todos faziam não podiam ser diferentes.

Como a diferença e o individualismo ainda assustam, mesmo os mais seguros de si!! È óbvio que vivemos em sociedade e temos nos integrar ….mas tudo tem limites.

Ou realmente o problema será a banalização das relações. O facto destas se tornarem tão fugazes que se não funcionar hoje , amanhã funciona ou não é com este é com outro!!

Ou ainda o conceito de nos reinventar-mos a cada passo, a cada relação falhada. Existe novamente a ideia de que se esta relação não funcionou, para a próxima vou mudar o meu estilo e ser mais afável, ou mais sexy ( novamente a perda de identidade) e já vai correr tudo bem melhor.

Continuo mesmo assim sem perceber o porquê das pessoas se anularem para serem aceites. Cedência não é sinónimo de anulação.

Caminha-mos para um mundo semelhante a todos aqueles que vimos nos filmes futuristas. Todos vestidos de igual e com faces idênticas, diferenciados pela cor de vestuário correspondente ao extracto social. Sem ideias próprias, com medo de exprimir-mos a nossa opinião pessoal e ser olhados de lado.

Atitudes que se revelam no nosso intimo acabam por se reflectir em todo o contexto circundante. Anula-mos as nossas vontades, as nossas ideias, o nosso corpo, a nossa postura tudo em prol de uma imposição societária do que é supostamente o mais correcto.

A palavra rebanho faz cada vez mais sentido, seja em que sentido for, seja o pastor a igreja, a politica, a TV e seus programas descerebrados,ou a educação opressiva e doente de algumas escolas ou conceitos familiares.

O futuro vai ser muito aborrecido. Será que ninguém percebe que é a diversidade de estilos e pensamentos e a sua interacção que injecta dinâmica na sociedade, no mundo ,na família, na vida conjugal, nas amizades.

Todos temos os nossos ídolos e almejamos um dia ter um terço do que eles têm, mas uma coisa é sonhar outra é viver num mundo de fantasia e ter medo de acordar para a cruel realidade que afinal não é senão apenas o mundo real.

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