Quando nos perguntam se somos racistas, dizemos sempre obviamente que não, mesmo que isso seja verdade. Para muitas pessoas ainda é difícil assumir a xenofobia que lhes faz ferver o sangue nas veias cada vez que vão ao café ou a uma qualquer loja e são atendidos por alguém de sotaque ou cor diferente.
Eu sempre me assumi como racista. Não o sou, no entanto, com cor de pele, credo ou raça. Sou racista com pessoas burras e muito mais ainda com pessoas que fazem passar por burras.
Desde quando se tornou moda uma pessoa fazer-se passar por burra para se inserir num meio social???
Basta olharmos a volta, no nosso local de trabalho ou no local que frequentamos socialmente nas noites de sexta ou sábado á noite. Risinhos parvos e ares divagadores são o melhor exemplo deste espécime irritante.
Fala-se de algo que passa nos telejornais e fazem um ar de quem nunca viu tal coisa. Faz-se um comentário sarcástico e ouve-se aquele risinho parvo e absolutamente irritante, fala-se em Chernobil, Iraque e olham para nós como quem olha para uma pintura abstracta e tenta desvendar aqueles rabiscos coloridos.
O pior é que em alguma fase da nossa existência este tipo de atitude se tornou moda. Alguns amigos com quem partilhei esta ideia dizem ser um meio de defesa contra a cruel realidade que nos rodeia. Talvez seja, mas ignorar a realidade nunca foi a forma mais de segura de nos protegermos seja do que for.
Numa relação a dois, nenhuma das partes deseja falar como uma parede, por isso para mim não faz sentido que um dos intervenientes se faça passar por menos inteligente do que é. As mulheres fazem-no em busca de aceitação, acham que os homens as vão desejar mais, se não demonstrarem existência de mais de dois neurónios e homens fazem-no para a mulher se sentir bem consigo mesma e desta forma a “relação” avançar mais depressa.
A longo prazo, obviamente que isto vai dar mau resultado. Ninguém se pode fazer passar por parvo toda a vida e até a burrice tem limites, mas acima de tudo a relação que começou com uma pequena mentira ou dissimulação não vai durar muito tempo.
Os comerciantes queixam-se da pouca venda de livros, as escolas do abandono escolar, e o povo reclama de não perceber nada do discurso de certas figuras públicas. Porquê ??
As sondagens continuam a indicar no nosso pais um preocupante grau de iletrados. Mas mesmo com a introdução de jornais gratuitos nos transportes públicos as pessoas continuam a não estar interessadas em ler.
São lançadas colecções de livros grátis, junto de jornais e revistas e os mesmos são preteridos em relação aos denminados “pasquins” e revistas cor de rosa. O que interessa é ter bom aspecto, o resto é irrelevante!
Errado !! Se não nos sentirmos bem interiormente isso transparece. Não basta sentir-mos com saúde, enérgicos e bem disposto se o nosso estimulo intelectual é zero. Bem dispostos somos mais agradáveis socialmente, mas não nos mantemos assim muito tempo se eventualmente não soubermos alimentar a conversa por mais de 5 minutos.
Quantas vezes ouvimos a expressão de sentimentos como depressão ou cansaço mental?! Muitas. As pessoas queixam-se e atribuem culpas á vida difícil, emprego exigente ou ao trabalho com os filhos mas a realidade é que não trabalham o seu cérebro e isso se reflecte na vida quotidiana de cada um.
Certa vez cruzei-me com uma jovem de 23 anos que se queixava exactamente do mesmo. A vida não tinha nada para lhe oferecer, sentia-se deprimida e sozinha e já nem conseguia interagir com os antigos colegas de faculdade porque não se sentia bem. Analisando o seu dia a dia compreendeu-se o porquê. Esta criatura tinha uma ocupação sem qualquer tipo de estimulo intelectual, depois de 8 horas de trabalho ia de transportes públicos para casa e ao chegar deitava-se e adormecia ( isto as 18 horas). Não lia, não via TV, não falava com ninguém fora do local de trabalho.
O que sentia não era então depressão era embrutecimento.
Logo de seguida vêm as desculpas, sendo a mais vulgar a falta de tempo. Não existe falta de tempo, o que existe é falta de disponibilidade das pessoas. Se vai de transportes para casa, leia um livro ou jornal ( estes até são gratuitos e oferecidos nas estações), cultive-se, mexa-se, pelo menos saiba o que se passa no mundo.
Existem exposições grátis, bibliotecas onde ir buscar livros sem gastar dinheiro, cafés onde ler os jornais diários gratuitamente. O importante é mesmo tomar iniciativa e isso não custa nada.
Ou custa?? Sim, voltando ao inicio do texto, talvez custe porque está na moda ser burro. É muito mais atraente.
Depois vem as conhecidas piadas de loiras, mas o verdadeiro Loiro/a burro/a é aquele que assim escolhe ser.
Sem comentários:
Enviar um comentário