sexta-feira, 25 de junho de 2010

Morre lentamente quem não viaja

" Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado
não arriscar vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se premite
Uma vez na vida, fugir aos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva
incessante
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo
não perguntado sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos então!"

Pablo Neruda

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