quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A estupidificação

Com a chegada de Setembro e do Outono chega também o regresso ás aulas. Ansiosas ( ou não) as crianças e adolescentes voltam á escola, contam as proezas das férias e renovam conhecimentos e amizades.
É o regresso á educação ou será á estupidificação?
Na televisão passam anúncios destinados aos jovens no seu regresso ás aulas que são absurdamente estúpidos. Todos sabemos que a publicidade visa chamar á atenção do seu público alvo, mas neste caso estão a falhar redondamente. Os protagonistas destes anúncios não correspondem á nossa realidade social. São criaturas que caíram ali de pára quedas, com roupas e penteados que apenas a minoria usa, com linguagem que tenta assemelhar-se a uma linguagem jovem, mas que é totalmente inadequada.
Das duas, uma ou os anúncios visam apenas essa minoria de crianças designadas pelos restantes como “betinhas” e que vivem confortavelmente em casa dos papás e não precisam de mover uma palha para obterem tudo o que querem, como por exemplo os PC portáteis do programa e.escola ( espero que não seja esta a opção pois é claramente uma demonstração de discriminação) ou devem realmente contratar outra empresa de publicidade porque esta falhou.
Existe ainda uma terceira opção....o publicista também trabalha para a TVI e decidiu colocar os “Morangos com açúcar” no anuncio, o que também não é uma boa opção visto estes já não atingirem os objectivos das primeiras séries. Pelo contrário, a cada série que passa os hobbies, escolas, roupas e personagens se afastam mais da realidade do nosso pais...só a história não muda, mas parece que ainda ninguém percebeu essa parte.
Este é o momento ideal para uma tomada de atitude por parte dos pais. Esquecer essas novas teorias de que ralhar, dar umas palmadas ou contrariar as crianças é traumatizante. Olhem para vocês mesmos...Estão traumatizados? Não?! Mas levaram uma ou outra vez uma palmada ou um ralhete, certo? Pois... I rest my case.
Não queremos, ou pelo menos eu não quero viver numa sociedade rodeada de crianças pedantes, que mandam nos pais e fazem tudo o que querem sem olhar a meios. Não quero viver numa sociedade de cabeças ocas, que não pensam por si e imitam ídolos faciosos. E muito menos quero viver numa civilização onde as crianças já nem sabem escrever á mão porque todos tem PC portáteis e levam os mesmos para as escolas para tirar apontamentos.
Chega o momento de se colocar um travão,não á evolução ou ao contacto das crianças com a inovação mas sim ao tipo de educação que damos e ao tipo de pessoas que queremos criar. Não vamos criar uma geração desprovida de valores e inspirada apenas em ídolos fictícios que não existem senão na imaginação de argumentistas de TV que certamente nem filhos têm.


Vamos investir na Educação e não na Estupidificação da futura geração.

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